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Mulheres na liderança e o case da Moove

Renata

 

Por Renata Vieira Martins – Head de Performance da Agência Moove

Publicado em 11/12/2020

 

Quem já foi numa festa uma vez na vida conhece a sensação: você entra, começa a ouvir a música, paga o seu ingresso e caminha em direção à pista. Essa caminhada por vezes é curta, mas nela cabe um milhão de expectativas. Entrar para uma nova empresa traz uma sensação parecida. Por mais que você tenha estudando o local, conversado com pessoas, conhecido o dono, você só compreende de fato quando entra na pista. Acredito que todo mundo tenha expectativas positivas quando começa em uma nova vaga – ou deveria ter. Não foi diferente comigo, mas a Moove me surpreendeu com um ambiente de trabalho diferente (mesmo que online, nesses tempos). “Aqui”, 67,5% do quadro de profissionais são mulheres. 3 dos 4 sócios são mulheres. Todas as Heads são mulheres. E o impacto disso não transborda só no espaço, voz e liderança na agência (que por si só também já é muito diferente), mas no próprio clima organizacional.

Em outubro, quando cheguei ao time, essa foi a primeira coisa que “enxerguei na pista”. Meu histórico são ambientes onde a liderança era primordialmente masculina, então logo notei detalhes importantes na Moove. Não me deparei com situações machistas (tão normalizadas hoje em dia), que rebaixassem ou menosprezassem o trabalho das mulheres, nem desigualdade salarial entre gêneros. E isso acontece de forma muito natural (como deveria ser sempre, certo?).

Na semana em que decidi começar a escrever este artigo, Kamala Harris foi eleita a primeira VP norte-americana, um fato histórico que encheu o mundo de esperança. Depois disso, vimos as mulheres ganhando espaço nas eleições brasileiras. Mesmo que ainda de forma muito tímida, houve um aumento de 13,5% para 16% de vereadoras eleitas em 2020 em relação a 2016, segundo o TSE. Já nas prefeituras, subiu para 12,2% o número de prefeitas eleitas. Na eleição de 2016 foi 11,57%, segundo a agência Senado. Pouco, já que somos 52,5% do eleitorado, mas já demonstra uma tendência de crescimento.

Em novembro, mais uma notícia animadora, a Gerdau anunciou que uma engenheira de 43 anos assumiu a presidência da Gerdau Summit, uma de suas operações industriais. Fato inédito na companhia. Mulheres na liderança também representam melhores resultados. Um estudo do banco Goldman Sachs mostra que Empresas com maior presença de executivas têm melhor desempenho, além dos ganhos em produtividade e criatividade. Nessa mesma batida, um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da ONU, realizado em 70 países, mostra que ter mulheres em cargos de liderança contribui para maior lucratividade. A Warren inclusive criou uma carteira de investimentos focada somente neste tipo de empresa.

Apesar desses fatos serem representativos, ainda existe um longo caminho a ser percorrido, já que apenas 19% dos cargos de liderança nas empresas são ocupados por mulheres. O Grupo Mulheres do Brasil , capitaneado pela empresária Luiza Helena Trajano, busca estimular a participação feminina nas organizações. Elas atuam em parceria com diferentes esferas de poder para fomentar a adoção de políticas afirmativas e eliminar a desigualdade de gênero, raça e condição social.

O item 6 das Big Ideas 2021 Big Ideas 2021: as 20 grandes tendências que definirão o próximo ano, do Linkedln, aponta que a pandemia levará mais mulheres à diretoria das empresas. Segundo o estudo, “mais mulheres têm sido alçadas a posições de comando executivo durante a pandemia, apesar da queda nas contratações para esse nível hierárquico. Essa tendência deve continuar, já que a pandemia demonstrou a importância de liderar com empatia e necessidade de apoiar a diversidade de talentos “. Confira aqui o texto completo.

Além das ações internas, a Moove também é apoiadora do projeto HeforShe, uma campanha criada pela ONU que desde 2014 defende os direitos das mulheres. A ideia é encorajar homens a tomarem iniciativa e medidas contra a desigualdade de gênero com a qual milhões de mulheres têm de lidar. Mas o mais importante é que, em pouco tempo de empresa, percebo que a Moove está fazendo o seu “dever de casa”. Porque é isto: o primeiro e mais importante passo para a transformação é empresas e pessoas olhando para si mesmas e consertando o que precisa ser mudado. Já diria o ditado: primeiro você arruma a sua cama, depois pensa em mudar o mundo. Este ano não curtimos a expectativa da festa, mas eu entrei pra pista da Moove e adivinhem: está tocando a minha música.