03/08

Comitê Gaúcho Eles por Elas lança campanha que chama atenção para os impactos invisíveis do feminicídio na vida de crianças

Comitê Gaúcho Eles por Elas lança campanha que chama atenção para os impactos invisíveis do feminicídio na vida de crianças

Campanha criada pela Moove ressalta que a violência contra a mulher não termina na vítima

A violência contra a mulher não termina quando uma vida é interrompida. É justamente a partir dessa reflexão que nasce a nova campanha criada pela agência Moove para o Comitê Gaúcho Impulsor do Movimento ElesPorElas, o HeForShe, movimento global de solidariedade criado pela ONU Mulheres, que será lançado nas redes do comitê na segunda-feira (03.08).

Inspirada em uma das consequências mais silenciosas do feminicídio, os órfãos da violência de gênero, a campanha desloca o olhar da vítima para aqueles que permanecem convivendo diariamente com sua ausência. São crianças e adolescentes que perderam a mãe para o feminicídio e, muitas vezes, também o pai, preso pelo crime. Uma realidade que transforma o feminicídio em um problema que ultrapassa o momento do assassinato e se prolonga por toda uma geração.

O cenário atual torna essa discussão ainda mais urgente. Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou 80 casos de feminicídio, o maior número dos últimos anos. No primeiro semestre de 2026, de acordo com dados da Polícia Civil, esse total aponta para uma alta preocupante com o registro de 40 feminicídios, reforçando a necessidade de ampliar o debate sobre a violência contra a mulher.

Com o conceito “A violência contra a mulher não termina na vítima”, o time criativo buscou inspiração na investigação jornalística da reportagem da jornalista Fabiana Reinholz, “Crianças órfãs de feminicídio: traumas, perdas e luta por direitos”, vencedora do Prêmio ARI de Jornalismo em 2025.

Utilizando uma linguagem visual sensível e impactante em preto e branco, crianças aparecem sozinhas enquanto sombras projetadas nas paredes revelam lembranças da presença materna, transformando a ausência em um elemento visual. A violência não é mostrada diretamente. Ela é percebida por meio do vazio deixado por quem não está mais ali, tornando a dor ainda mais evidente.

“A campanha busca mostrar a exata dimensão da tragédia que o feminicídio causa nas famílias, em especial, das crianças. As marcas são profundas e atravessam para sempre a vida das crianças”, destacou Thedy Correa, Coordenador do Comitê Gaúcho Eles por Elas. 

Mais do que denunciar um crime, a campanha amplia o entendimento sobre seus impactos sociais e a responsabilidade dos homens na denúncia de violência contra a mulher. Assim, o feminicídio deixa de ser visto como uma tragédia restrita a um casal e passa a ser compreendido como uma violência que interrompe infâncias, modifica famílias e deixa marcas permanentes na sociedade.

Porque toda mulher vítima de feminicídio deixa uma história interrompida e muitas outras marcadas para sempre. A violência contra a mulher é responsabilidade de todos. Se você presenciar ou souber de um caso de violência de gênero, denuncie. Ligue 180.

Vários veículos e plataformas de mídia já aderiram à campanha doando espaços em jornais, sites, blogs, mídias OOH e rádios.

“Optamos por não representar a violência em si. Ela já é conhecida. O que precisava ganhar visibilidade era o vazio que ela produz. Quando a sombra de uma mãe ocupa o lugar onde ela deveria estar, entendemos que o feminicídio não termina na vítima. Ele continua na vida de quem ficou.” afirma Cado Bottega, Head de Criação da Moove.

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